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Promédica pode definir ainda este ano compra de hospital


 

A agonia do Hospital Espanhol, em Salvador, pode estar com os dias contados: até o final do próximo mês, o grupo Promédica já terá o resultado da due diligence,da qual está dependendo a batida do martelo para a compra da unidade. O termo em inglês refere-se ao processo de auditoria das dívidas e do patrimônio do hospital, antes que se inicie a negociação propriamente dita. O grupo foi o único a apresentar uma carta de intenções de compra, e tem bons planos para reativar a unidade. É o que assegura o diretor administrativo e financeiro da Promédica, Jorge Oliveira, nessa entrevista exclusiva para o A TARDE.

Desde a morte do  médico Jorge Valente Filho, em 2003, Oliveira, que atua no grupo há 17 anos, assumiu o papel de ceo da Promédica, com o aval dos acionistas herdeiros. Com ele, a Promédica consolidou-se como a maior empresa regional de saúde do estado, com cerca de 90 mil beneficiários em Salvador e Região Metropolitana. Somente a Proteção Médica à Empresas S.A (a operadora de saúde) tem 500 clínicas e hospitais credenciados, concentrando 60% do atendimento em rede própria. Os hospitais Jorge Valente, da Cidade e do Subúrbio também integram o grupo, que agora planeja comprar o Espanhol.

Na entrevista, Oliveira ainda faz considerações sobre  o setor, a qualidade dos serviços prestados na Bahia e a polêmica questão da quase extinção da  oferta de planos individuais. 

A Promédica é hoje o maior grupo local de saúde do estado. Como se deu essa expansão num mercado tão marcado por grandes operadoras  nacionais?

A Promédica é uma empresa baiana, tem 46 anos de existência. Surgiu em 1969, com um grupo de médicos que passou a fazer a assistência médica para funcionários do então Banco Econômico. Isso foi capitaneado por Dr. Jorge Valente Filho, que foi o fundador. Daí evoluiu, e passou a ser uma empresa chamada no mercado de Medicina de Grupo, atendendo também funcionários de outras empresas. Isso numa época em que não existia legislação, uma regulamentação específica para essa área. Em 1976, sete anos depois, foi fundado o Hospital Jorge Valente, na Avenida Garibaldi, e foi aí que a Promédica passou a ter uma estrutura hospitalar própria. Hoje, o grupo é composto pela operadora de planos de saúde, além de várias clínicas de atendimento ambulatorial e de diagnóstico por imagem; e ainda, o laboratório Datalab, o Hospital Jorge Valente, o Hospital da Cidade, que fica na Caixa D'Água e  que compramos em 2008 do Nizan Guanaes, que era acionista majoritário. Tem ainda o Hospital do Subúrbio, inaugurado em 2010. Foi a primeira parceria público-privada no Brasil e que, agora, completou cinco anos. O foco no crescimento deve ser a força motriz de uma empresa, pois a empresa que não pensa em crescimento está fadada a desaparecer.

Dentro desse foco da expansão, o grupo é hoje o principal interessado na aquisição do Hospital Espanhol. Em que pé estão essas negociações?

No caso do Hospital Espanhol, fomos procurados pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC), que é quem detém o mandado para a resolução da situação do hospital. Nós apresentamos uma proposta, por meio de uma carta de intenções. Estamos agora fazendo uma due diligenceno hospital. Isto porque se tem, por exemplo, uma dívida muito complexa para se levantar, pois existem muitos processos trabalhistas. Então, durante 60 dias, está sendo feita essa due diligence para se levantar o valor da unidade. É uma operação complexa, mas é preciso saber se cabe no valor do ativo essa dívida toda que vai ser levantada. Mas, sim, nós fizemos uma proposta, um intenção firme, de fazer a aquisição da unidade para reativar o hospital.

Considerando a demanda sempre crescente na área de saúde, quais foram os equívocos que culminaram na crise enfrentada pelo Espanhol?

A área de saúde é hoje uma área muito intensiva na aplicação de mão de obra, capital e tecnologia. Aliada a isso, tem-se uma legislação muito complexa a se observar. Então, uma gestão hospitalar, uma gestão na área de saúde de modo geral, precisa ser hoje, portanto, muito profissionalizada e tem de estar muito associada ao capital intensivo, porque ela demanda muito capital. Então, uma instituição, mesmo como o Espanhol que era filantrópico, sofre muito com algumas penalidades impostas pelo sistema para funcionar e, assim, mesmo sendo uma instituição centenária, ela acabou enfrentando problemas.

Considerando essas dificuldades apontadas, o que pode garantir bom retorno a um investimento no Espanhol e nesse setor de modo geral?

A área de saúde no Brasil, a gente separa: o Sistema Único de Saúde (SUS) e a área de medicina suplementar, que é essa parte de planos de saúde, seguros saúde, cooperativas médicas e autogestão. Esse segmento atende hoje, aproximadamente, 25% da população brasileira. Os 75% restantes estão no SUS. Para se ter uma ideia da dimensão desse mercado, os gastos desses 25% são maiores que o próprio orçamento do SUS para a assistência médica. Então, 25% da população gasta mais que os 75% restantes que estão no SUS. É, portanto, um mercado de dimensões muito grandes. Por outro lado, temos no Brasil problemas sérios de infraestrutura hospitalar. Para se ter uma ideia, cerca de 60% dos hospitais brasileiros não têm o tamanho padrão reconhecido para ser um hospital, que seria a partir de 120 leitos. A maioria está abaixo disso. Então, é um segmento que tem um espaço grande para crescer na prestação do serviço e na atração de novas pessoas para o sistema de saúde suplementar, o que, inclusive para o governo, é muito bom, pois desonera o Sistema Único de Saúde. É, portanto um mercado que ainda tem muito a expandir, principalmente agora com a flexibilização da entrada do capital estrangeiro. Com a valorização do dólar, o mercado tornou-se bastante atrativo, porque os ativos brasileiros estão baratos. Então, aplicando-se métodos de gestão, capital e tecnologia adequados, tem-se um mercado muito bom.

O senhor fala da necessidade de atração de mais pessoas para a saúde suplementar;  por outro lado, as operadoras, a exemplo da Promédica, estão eliminando cada vez mais os planos individuais, trabalhando só com os corporativos. Isso não é uma contradição  nos planos de expansão desse setor?

A verdade é a seguinte: a participação dos planos individuais dentro dos 50 milhões de usuários dos planos de saúde é hoje a menor parte. Deve estar na faixa entre 20% a 25%...

Porque os próprios planos deixaram de atender...

Deixaram de atender por algumas razões: existem alguns excessos na legislação que regulamenta o serviço. Então, tem-se um engessamento do sistema. Um exemplo refere-se às  variações de preço por faixa etária: temos o Estatuto do Idoso que diz que, a partir de 60 anos, a pessoa não pode mais ter aumento do plano de saúde por variação da faixa etária. É algo que acaba se revelando contraproducente, pois, por outro lado, temos a expectativa de vida aumentando e as pessoas consumindo mais para cuidar da sua saúde na terceira idade. Há também, por exemplo, o engessamento do sistema de coberturas, em que só se tem três tipos possíveis: o ambulatorial, o hospitalar e o ambulatorial/hospitalar com obstetrícia. Então, até as empresas como contratantes de planos de saúde ficam impossibilitadas de desenhar o perfil do produto que elas querem para seus colaboradores. No caso dos planos individuais, creio que será  preciso mesmo ter uma nova regulamentação, em relação ao contratante ser considerado hipossuficiente em relação ao contratado, ou seja, a empresa seguradora ou operadora. Há casos que fazem sentido, como os de limites de dias de internação. Se a pessoa precisa de internamento, não há como se estabelecer que ela só tem direito a 20 dias por ano, por exemplo. Mas, há, por outro lado, distorções na legislação atual quanto a coberturas, como fornecimento de medicamento ambulatorial, entre outros assuntos que dificultam a formação de parâmetros de cobertura. Por exemplo, uma pessoa que não tem histórico de problemas cardíacos na família e sempre faz acompanhamento da sua saúde poderia ter a opção de contratar um plano que não tivesse cobertura para cirurgias cardíacas, por exemplo.

No que diz respeito à oferta de procedimentos médicos, como está a situação da Bahia em relação a outros estados?

Do ponto de vista tecnológico, temos hoje, em Salvador, praticamente tudo o que se precisa para a assistência médica, tanto pequena, alta e média complexidade, com exceção de um ou outro procedimento mais específico, como uma cirurgia intra-uterina. Por ser algo tão caro e específico, fica concentrado em um só lugar: em São Paulo, geralmente. Coisas, portanto, que sequer são previstas no rol de coberturas da Agência Nacional de Saúde (ANS), até porque o  mercado disso é muito limitado. Portanto, no geral, nós temos excelentes serviços médicos na cidade, mas temos um grande problema que é a carência de leitos, tanto no setor público, quanto privado.

E é até por essa falta de leitos que o Hospital Espanhol faz tanta falta. Caso se confirme a aquisição da instituição pela Promédica, já há planos de expansão?

O Hospital Espanhol hoje tem em torno de 270 leitos e, caso tudo dê certo, prioritariamente, o grupo vai trabalhar para reabrir a unidade, o quanto antes. Quanto aos planos de expansão, só mesmo depois de tomar pé da situação e a unidade já estiver operando plenamente.

 

Fonte : http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1719600-promedica-pode-definir-ainda-este-ano-compra-do-hospital-premium


Categoria: Notícia

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By Redbit