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ANS aumenta o rol e planos de saúde precionam por aumento.

Um a cada quatro brasileiros possui plano de saúde. O que representa um universo de, aproximadamente, 45 milhões de pessoas que não contam com os serviços oferecidos pela rede pública no país. A agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é o órgão do governo que fiscaliza os planos de saúde e tomou uma decisão que pode mudar a vida de muita gente. A partir do próximo dia 2 de abril, alguns novos procedimentos e serviços terão que ser oferecidos por todas as operadoras.

A medida, que contempla serviços de fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, psicoterapia, mamografia digital, entre outros, levanta algumas discussões com diversos segmentos envolvidos no tema. O número de consultas fonoaudiólogas, por exemplo, (seis por ano), que é considerada como "o que pode ser feito" pela ANS, é vista como pífia pelo Conselho Regional de Fonoaudiologia do Rio de Janeiro (CRF/RJ). A entidade acredita que a ANS não previu a demanda dos pacientes quando fez essa previsão. Para a presidente do CRF/RJ, Lúcia Helena Ferreira, essa quantidade representa atendimentos emergenciais e avaliações. "Em termos de tratamento mesmo, não avançamos", conta.

Planos não poderão reajustar

As instituições de saúde reclamam que a decisão pesará nas finanças. A Unimed e a Unidas (Órgão que representa as empresas de saúde de auto-gestão) informaram que terão dificuldades em se adaptarem às inovações sem repassar os custos aos beneficiários. Para o diretor de integração da Unimed, no Brasil, João Caetano, muitas empresas trabalham com uma margem de lucro muito apertada. "A vida financeira das empresas para 2008 é temerária", alega, sem informar o percentual de ganho do grupo.

O corretor de seguros Adayrton Machado, há dez anos no ramo, conta que o reajuste deverá ficar em torno de 9%. O que para planos populares pode representar um aumento de R$15,00 para as pessoas da terceira idade. Já para os planos com mais coberturas, o acréscimo pode chegar a R$ 100,00.

Caso haja aumento, provavelmente não será este ano. Como a data para os reajustes ocorre sempre nos meses de maio e junho, a ANS alega que não há tempo hábil para avaliar o impacto dos novos custos este ano. Segundo a acessória da agência, o percentual de reajuste vai depender da quantidade de sinistros apurados em 2008.

A aposentada Eucenir Gonçalves, 66 anos, lembra que em 2005 possuía um plano de saúde que faliu. Na época ela ouviu da ANS que deveria continuar pagando o plano, pois seria remanejada para outro com as mesmas coberturas. Eucenir pagou as mensalidades até ser transferida para um plano equivalente. "Paguei a mesma coisa no plano novo só nos três primeiros meses, depois o aumento foi de 100%", lembra. A ANS informa que nessas situações, os planos têm realmente três meses para manter o valor da mensalidade.

Médicos reclamam de regras mais transparentes

Profissionais de saúde concordam com um ponto: falta uma regra mais clara. O cirurgião plástico Celso Boechat é paciente de acupuntura há anos. O médico, que conhece os benefícios "na pele", não discute a importância de uma ou outra especialidade estar no rol da ANS. Celso defende que haja uma definição melhor de funções e remunerações.

Na visão do médico, é um equivoco quando a ANS apenas reconhece a acupuntura como atividade médica. O cirurgião diz que na Universidade Federal Fluminense (UFF) já há uma cadeira de medicina tradicional chinesa. "O problema é o que se paga no mercado", dispara.

O analista de sistemas Marcelo Ferreira, 36 anos, procurou um ortopedista para verificar uma inflamação nos tendões e lhe foram recomendadas doze sessões de acupuntura. Marcelo conta que teve dificuldades de conseguir uma clinica credenciada. "Pago caro pelo plano e só achei duas em Niterói. É pouco", observa.

A preocupação do ortopedista Márcio Shieffer, 31 anos, é a burocracia na autorização de materiais cirúrgicos. O médico relata que em até 90% dos casos acontece algum problema com os planos de saúde. O aborrecimento é, muitas vezes, ter que remarcar a cirurgia. "Além da tensão natural do paciente, há um abalo psicológico. É chato".

O aposentado João Lacerda marcou uma cirurgia de catarata há pouco mais de um ano. No dia da internação foi avisado que precisava pagar a lente. Seu plano criado antes da resolução da ANS de 1999, não cobria prótese (após esta data a cobertura para prótese é obrigatória). "Por que não me disseram nada antes da cirurgia? É muito constrangedor ter os direitos confundidos com favor", conta, irritado. A ANS informa que a fiscalização é realizada, contudo, conta com a ajuda da população para denúncias de irregularidades.


Categoria: Clipping

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By Redbit